O USO INADEQUADO DA MAQUIAGEM E SEUS MALEFÍCIOS
O USO INADEQUADO DA MAQUIAGEM E SEUS MALEFÍCIOS

O USO INADEQUADO DA MAQUIAGEM E SEUS MALEFÍCIOS

 

THE INADEQUATE USE OF MAKE UP AND ITS MALEFIC

 

Lorena Fabrícia Caleman¹

Nathielly Mendes de Oliveira²

 

¹Orientadora desta pesquisa: Especialista

²Pós Graduanda em Estética Capilar, Facial e Corpora Habilitação Clínica e Docência.

 

Resumo: Através da evolução das indústrias de cosméticos com o passar dos anos, nota se um avanço tecnológico considerável favorecendo ao desenvolvimento de produtos eficazes e ao mesmo tempo trazendo preocupações pela falta de conhecimento dos profissionais e principalmente do cliente. Em suma a maquiagem é um procedimento estético bastante utilizado tendo uma crescente busca a cada dia.  Os riscos inerentes que podem ocorrer através da maquiagem sendo eles riscos biológicos, químicos e também as formas de aplicações, remoções e cuidados. Fato que deve ser levado em consideração é a relação que o procedimento da maquiagem na estética tem com a saúde, sendo um dos fatores importantes a biossegurança, podendo evitar sérios danos como a hipersensibilidade da pele. Vale enfatizar que a maquiagem é um recurso bastante utilizado pelas mulheres com intuito de favorecer a beleza e autoestima das mesmas, mas com o uso indevido e obtido de forma errônea podendo trazer malefícios a saúde. PALAVRAS-CHAVE: Maquiagem; Hipersensibilidade; Cosméticos.

ABSTRACT: Through the evolution of the cosmetic industry with the years, indicates a considerable technological advancement favoring the development of efficient products and at the same time bringing worries for the lack of knowledge of the professionals mainly the clients. Make up is an esthetic procedure quite often resorted, having a growing search every day. The inherent risks that can occur through make up, for instance biological and chemical risks and also the ways of application, removal and caring. The fact that must be taken into consideration is the relation that make up procedures have with health, being one of the most important the biosafety, avoiding serious damage to the skin hypersensitivity. It’s worth emphasizing that make up is a resource quite often resorted to by women with the aim of supporting their beauty and self-esteem, but it’s indiscriminate use and erroneous obtaining can be harmful to health.

 

KEY-WORDS: make up, hypersensitivity and cosmetics.

A maquiagem vem atravessando gerações e gerações desde os tempos remotos com intuito religioso, ritualístico, de crenças e de embelezamento, sendo o embelezamento o objetivo principal da maquiagem nos dias de hoje, como recurso na melhora da aparência e elevação da autoestima, certa forma beneficiando a saúde. (VITA, 2009).  Sabendo que a maquiagem está no cotidiano da maioria das mulheres se faz necessário maior conhecimento no assunto, o uso adequado principalmente na utilização e no armazenamento. Pouco é discutido dentre os profissionais de maquiagem e seu público, a propósito do grande risco que uma maquiagem pode lhe trazer se não utilizada e armazenada de forma correta (MOLINOS, 2010). Desde a pré-história tem se o hábito de pintar a face, podendo dizer que era usada desde os tempos bíblicos. O uso de cosméticos podem se retroceder aos antigos egípcios, gregos e romanos. Para preparação destes era usada gordura animal, cera de abelha, mel, leite, pigmento branco á base de carbonato de chumbo, cinabre, entre outros. (PINTO, 2012). Segundo Vita (2009), os olhos se destacavam, pois significavam as janelas das almas, funcionando como amuleto, sendo ritual não só dos egípcios. Para a preparação dessas tinturas eram usadas folhas, raízes e extratos de animais, além de misturas de pedras e terras moídas para a pintura do rosto e do corpo (CEZIMBRA, 2014). Cosméticos são produtos que sem afetar a estrutura ou função da pele tem como objetivo perfumar, limpar e embelezar, protegendo e mantendo o bom estado cutâneo. É definido o cosmético como seguro e eficaz aquele que atribui o objetivo proposto na rotulagem e com eficácias de uso seguro nos testes, tendo também em sua composição componentes que são permitidos pelo órgão regulamentadores e fiscalizadores da indústria cosmética. As matérias primas são avaliadas quanto à absorção na pele, efeitos sistêmico, alergênico e risco de irritação (RIBEIRO, 2010). É importante os produtos cosméticos serem armazenados em local arejado, evitando calor excessivo, alteração da textura e do odor, o que pode resultar em perda estabilidade do produto e em consequência perda da eficácia do cosmético (LOVO, 2011). A data de validade titulada pelo fabricante, deve ser sempre respeitada, por se tratar de produtos químicos. É necessário verificar e testar os produtos para não desencadear reações alérgicas, hipersensibilidade, irritação, intolerância local, desconforto, vermelhidão e entre outros (LOVO, 2011).

          Tendo em vista que a pele da face é mais sensível, os pigmentos usados na composição dos cosméticos, trazem como impurezas alguns elementos tóxicos, quando solúvel em água é absorvido pela pele, considerando que a maquiagem está no hábito diário da pele podendo causar danos à saúde. (ATZ, 2008). Uma significativa parcela da população brasileira se preocupa com qualidade de vida procurando recursos para melhorar a aparência, com isso favorecendo ao crescimento de profissionais que atendem essa área, porém sem a devida qualificação (GARCIA, et al 2012). A maquiagem, sendo muito apreciada na área da beleza pelos seus benefícios e atrativos, destaca se a necessidade de adquirir o conhecimento de condutas que ajudam a evitar possíveis complicações. Sendo assim a biossegurança é uma forte aliada tanto na parte da composição dos produtos quanto na aplicação e remoção dos resíduos deixados na pele (PEREIRA, 2013). Na estética a biossegurança é voltada para a prevenção de doenças que podem ser transmitidas do profissional ao cliente, do cliente ao profissional e entre clientes. E uma das medidas é a precaução padrão que é com intuito de reduzir os riscos de doenças infecciosas. Uma das precauções é o uso de equipamentos de proteção individual (EPI), outra medida que deve ser usada por todos, é a higienização (PEREIRA, 2013). A antissepsia e higienização das mãos tem o objetivo de amenizar riscos de transmissões com a diminuição e eliminação da sujidade e microbiota transitória das mãos, pois podem ocorrer transmissões de doenças infecciosas. E para desinfecção e lavagem das mãos é necessário o processo de ação mecânica com o uso em conjunto de água, sabão líquido e álcool 70% (LOVO, 2011).   Hernandez, et al (1999) os produtos de maquiagem que pode causar dermatite são: os batons e blush por conter alérgenos como corantes (eosina e erotrosina), perfumes, conservantes e excipientes, causando vermelhidão, secura, fissura, prurido, vesículas labiais, descamações de mucosas, sombra para os olhos, delineadores e rímel os alérgenos pode causar eczema por conter corantes e conservantes.

Algumas das substancias encontradas na maquiagem que pode trazer malefícios:  Parabenos que são mimetizadores do estrogênio pode causar câncer de mama, puberdade precoce, envelhecimento cutâneo, dermatite de contato e atua também como potencializador a radiação UV;  Silicone que está relacionado à doença de Alzheimer;  Polietilenoglicol e seus derivados causadores de dermatite de contato;  Óleo mineral podendo induzir a artrite.

Figura 1: processos de hipersensibilidade

AS FIGURAS, IMAGENS E ANEXOS DO ARTIGO CIENTÍFICO SOMENTE ESTÃO DISPONÍVEIS NO TRABALHO IMPRESSO NA BIBLIOTECA DA EUROAMÉRICA – INSTITUTO TÉCNICO PROFISSIONAL.

O uso de maquiagem traz ainda alguns tabus como fazer mal à saúde e envelhecer, o correto é aplicar corretamente e usar produtos confiáveis, e quando se tem agregados como o filtro-solar e o hidratante trarão benefícios à saúde da pele (MOLINOS, 2010).  Novas tecnologias são usadas nas maquiagens e são tendências por agregar em suas formulações componentes que promovem benefícios para pele como microesferas de sílica, ácido hialurônico desidratado, argilas entre outros (REBELLO, 2004).

2 METODOLOGIA

Trata se de uma pesquisa qualitativa, com caráter de revisão bibliográfica. Foram feitas buscas em livros didáticos, trabalhos científicos em sites como Google acadêmico e scielo.

As pesquisas foram realizadas e selecionadas através de leituras, buscando informações relacionadas ao tema.

3 DISCUSSÃO

Os antigos egípcios possuíam uma grande quantidade de produtos referentes a cosméticos, os quais eram utilizados por ambos os sexos como um ritual diário não só com intuito de embelezamento, mas também por religião e ritualismo, tendo como foco a maquiagem na face, nos lábios e nos olhos (VITA, 2009). Apesar de ter se passado muito tempo, ainda não é de total conhecimento a composição real e pureza destes produtos, ainda se desconhece o seu poder nocivo (ATZ, 2008).  O profissional da beleza deve priorizar a saúde, proporcionando beleza e bem estar do cliente, conscientizando com o benefício do uso de cosméticos e procedimentos adequados e seguros. Sabendo que o profissional da beleza fica exposto e pode expor seus clientes a diferentes tipos de riscos como o uso inadequado de cosméticos. (GARCIA, et al 2012). Rebello (2004), afirma que produtos cosméticos são misturas homogênea ou heterogênea que fabricados, avaliados e submetidos a controles físicos, químicos e microbiológicos. Levando em consideração a afirmação de (MONTEIRO, 2014) a aprovação dos cosméticos para a comercialização é rápida, não havendo necessidade de grandes estudos tanto no âmbito científico quanto clínico para a comprovação eficaz e segura. As formulações dos cosméticos são complexas e possuem vários componentes que não tendem a irritações, porém, como se trata de produtos de uso contínuo, podendo causar hipersensibilidade em alguns indivíduos (GOMES, 2013). Segundo Vinas & Junior, (2013) nota se um crescimento considerável das indústrias de cosméticos, sendo o Brasil o destaque em terceiro lugar no mercado consumidor. Trazendo uma preocupação no uso inadequado e sem o real conhecimento dos componentes, matéria prima e ativos utilizados na formulação  dos cosméticos, sendo alguns deles cancerígenos e causando sérios danos a saúde.

 

Csordas & Galembeck (2010), afirma que o uso contínuo de cosmético pode trazer reações alérgicas, conceito ainda sem comprovações, considerando o fato de que uma substância exógena combina com proteínas no organismo causando falhas bioquímicas ou enzimáticas, trazendo assim a produção de histamina para combater o agente “agressor”. A substância que desencadeia reações de hipersensibilidade é chamada de alergenos que é detectado e estimulado pelo sistema imune podendo trazer vasodilatação, broncoconstritor e lesão tecidual (GOMES, 2013).  A histamina é um defensor do organismo que pode ter efeitos adversos no individuo como sensibilização, baixa imunidade e até fechamentos das vias respiratórias e que quando liberada pelo organismo a histamina pode causar vasodilatação trazendo consigo a eritema e o edema (CSORDAS & GALEMBECK, 2010). Lovo, (2011) diz que as condutas de biossegurança são ocupações que envolvem a saúde em uma determinada atividade. Quando não se tem biossegurança na área da maquiagem pode ocorrer transmissão de doenças como clamidina, dermatite bacteriana e fúngica, conjuntivite, herpes e hepatite.  Os micro-organismos são microscópicos e encontrados no ar, na água, no ambiente no organismo humano e animal, proporcionando um contato diário com seres vivos. A contaminação por microorganismo é classificada como um risco biológico, que podem ocorrer, por exemplo, através da troca da lâmina do apontador de lápis de maquiagem (LOVO, 2011). Higienizar as mãos é o ato de remover com água e sabão as bactérias transitórias e algumas residentes, suor, sujidade, oleosidade e células descamativas, de forma a evitar a transmissão de microorganismos por meios do contado direto ou indireto entre pessoas e objetos (PEREIRA, 2013). Dermatite de contato é uma das reações alérgica mais comum no indivíduo trazendo irritação na pele ou no couro cabeludo. O mais comum desencadeados deste é o solvente e o conservante, que quando ocorre em adolescente e criança é mais acentuado (CUNICO, 2011). Um dos motivos citado pelos autores da qual isso pode ocorrer e a absorção da pele de um elemento exógeno contido na maquiagem se ligar a uma  proteína causando falhas assim desencadeando maior produção de histamina prejudicando a saúde

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em suma, a maquiagem com todo seu tempo e geração não é um produto inofensivo capaz apenas de embelezar e beneficiar a saúde, são produtos que estão no cotidiano de milhares de pessoas que fazem uso diariamente.  Considerando a maquiagem como um procedimento estético, tendo relação direta com a saúde, sendo comuns relatos de processos de hipersensibilidade, irritações, podendo até mesmo desenvolver processos alérgicos. Nota se o avanço científico e tecnológico das indústrias de cosméticos, porém faltando ênfase na preocupação no desenvolvimento de produtos cosméticos para maquiagem com segurança.

5 AGRADECIMENTOS 

Dedico primeiramente este trabalho a Deus que me deu força, determinação e saúde para estar realizando essa pós-graduação. Em segundo agradeço ao João Carlos que foi quem me proporcionou a oportunidade de cursar a pós-graduação e também incentivou e em terceiro quero agradecer á duas amigas Tatiane e Paula que me convidou e também me ajudou muito e de final agradeço aos familiares que acreditaram em minha capacidade.

 

6 REFERÊNCIAS

  1. ATZ, V.L. Desenvolvimentos de métodos para determinação de elementos traço em sombra para áreas dos olhos e batom. Programa de Pós-graduação em química da Universidade Federal do RS. Porto Alegre, 2008.

  2. CEZIMBRA, M. Maquiagem: técnicas básicas, serviços profissionais e mercado de trabalho. 12. reimpr. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2014.

  3. CUNICO, M.M; LIMA, C.P. Os cosméticos e os riscos da vaidade precoce, 2011. Disponível em: http://www.mcunico.com.br/ebooks/cosmeticos.pdf. Acesso em 25/03/2016.

  4. GALEMBECK, F; CSORDAS, Y. Cosméticos: a química da beleza, 2010. Disponível em: http://web.ccead.pucrio.br/condigital/mvsl/Sala%20de%20Leitura/conteudos/SL_cosmeticos.pdf. Acessado em, v.2, n.09.p.20103,2011.

  5. GARCIA, K.P; BENTO, C.F; COSTA, K.F. Riscos ocupacionais de uma amostra dos profissionais da beleza. Revista Visão Acadêmica, 2012. 

  6. GOMES, A.B. Alergia a cosméticos. Artigos dermatológicos. São Paulo, 2013. Disponível em: http://www.ativosdermatologicos.com.br/upload/img/13_2606_artigo_alergia .pdf

  7. HERNANDEZ, M; MERCIE-FRESNEL, M.M. Manual de Cosmetologia. 3. ed.  Rio de Janeiro. Editora Revinter Ltda, 1999.
  8. LOVO, F.G. Biossegurança aplicada para área de maquiagem. Pólo Boa Esperança, 2011.
  9. MOLINOS, D. Maquiagem/Duda Molinos. 11. ed. São Paulo. Editora SENAC São Paulo, 2010.

  10. MONTEIRO, E.O. O cosmético-atualização. RBM ver. Bras.med 71. esp g4,2014. : http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=6089.

  11. PEREIRA, M.F.L. Recursos técnicos em estética. 1. ed. São Caetano do Sul, SP. Editora Difusão, 2013.

  12. PINTO, M.S; ALPIOVEZZA, A.R; RIGHETTI, C. Garantia da qualidade na indústria cosmética. São Paulo. Editora Angage Learning, 2012. 
  13. REBELLO, T. Guia de produtos cosméticos. 9. ed. revista e ampliada. Editora SENAC São Paulo, 2004.

  14. RIBEIRO, C J. Cosmetologia aplicada a dermoestética. 2. ed. São Paulo. Editora Pharmaboocks, 2010.

  15. VIÑAS, P.; JUNIOR, J.D.F. Os cosméticos podem provocar câncer de mama, doença de Alzheimer, dores articulares, crises de asma, puberdade precoce, entre outras patologias, 2013.Disponível em: http://www.medicinacomplementar.com.br/biblioteca/pdfs/Biomolecular/mb0720.pdf.

  16. VITA, A.C.R. História da maquiagem, da cosmética e do penteado: em busca da perfeição. 1. ed. São Paulo. Editora. Anhembi Morumbi, 2009.

 



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